Arrasta uma cadeira e senta pra gente prosear...
O Ana Maria Pantaneira vai tratar dos assuntos do cotidiano de Mato Grosso do Sul.
O melhor do mundo está aqui, o Pantanal.Vem pra cá conhecer essa terra sem igual, aqui temos o que você procurar, oferecemos uma terra fértil para plantar, temos homens e mulheres simples do campo que gentilmente lhe chama para um bom churrasco e na sombra da mangueira se refrescar, grandes rios que na época certa você pode pescar, gado leiteiro, gado de corte, uma roça farta para você se deliciar, turismo também para você não vai faltar: Pantanal, Bonito, Bodoquena, Aquidauana, Jardim, Miranda, Coxim, Rio Verde, Rio Negro, Corumbá e Campo Grande a nossa linda capital, tem tanta coisa que aqui não dá para enumerar só você vindo pra cá. A música daqui é sensacional:Almir Sater, Grupo Acaba, Delinha, Marlon Maciel, Michel Teló, Luan Santana, Nei Matogrosso, Lenilde Ramos, Guilherme Rondon, são tantos.
O melhor do mundo está aqui, o Pantanal.Vem pra cá conhecer essa terra sem igual, aqui temos o que você procurar, oferecemos uma terra fértil para plantar, temos homens e mulheres simples do campo que gentilmente lhe chama para um bom churrasco e na sombra da mangueira se refrescar, grandes rios que na época certa você pode pescar, gado leiteiro, gado de corte, uma roça farta para você se deliciar, turismo também para você não vai faltar: Pantanal, Bonito, Bodoquena, Aquidauana, Jardim, Miranda, Coxim, Rio Verde, Rio Negro, Corumbá e Campo Grande a nossa linda capital, tem tanta coisa que aqui não dá para enumerar só você vindo pra cá. A música daqui é sensacional:Almir Sater, Grupo Acaba, Delinha, Marlon Maciel, Michel Teló, Luan Santana, Nei Matogrosso, Lenilde Ramos, Guilherme Rondon, são tantos.
Para lhe contar mais, venha nos visitar, arrasta uma cadeira e vamos prosear!
O nome Ana Maria Pantaneira é uma homenagem ao estado de Mato Grosso do Sul, o meu estado. Esta é a minha terra, aqui é o meu lugar!!!
O nome Ana Maria Pantaneira é uma homenagem ao estado de Mato Grosso do Sul, o meu estado. Esta é a minha terra, aqui é o meu lugar!!!
BANNER
Meus seguidores, participantes deste blog...obrigada por estarem aqui comigo!!!
Mostrando postagens com marcador CAMPO GRANDE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAMPO GRANDE. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de agosto de 2008
ÁRVORE GENEALÓGICA DE JOSÉ ANTONIO PEREIRA
Para ver as fotografias, clique sobre os nomes em azul (sublinhados). Para ver a continuação da árvore genealógica, clique na seta azul sublinhada ao lado do nome respectivo: [==>].
Manoel Antônio Pereira
X
Francisca de Jesus Pereira
JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
X
Maria Carolina de Oliveira
FILHOS DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA NETOS DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Antônio Luiz Pereira
X
Anna Luiza de Souza
Maria Luiza, Manoel [==>], Ana Luiza [==>],
Deolinda [==>], Júlia Bruna [==>],
Belmira [==>], Laucídio [==>], Olívia,
Carlinda [==>], Nestor [==>]
Joaquim Antônio Pereira
X
Maria Helena de Souza
Ana Gama [==>] , Cândido, Durando [==>] ,
Maria Rita [==>], Lázaro, Braulino, João [==>] ,
Manoel, José, Antônio
Francisca Pereira
X
Manoel Vieira de Souza
X
Luiz Oliveira
Jerônima, Abadio, Maria das Dores,
José, Antônio, Joaquim
Ana Constança Pereira
X
Manoel Gonçalves Martins
José [==>], Antônio, João, Elisa,
Maria Porfíria, Ana [==>], Guilhermina,
Joana Maria
Maria Carolina Pereira
X
Antônio Gonçalves Martins
Maria Joaquina [==>]
Rita Pereira
X
Onório Vilela
Luiz, Antônio, Marciano, José,
Emília, Jerônima, Regina, Ana,
João, Deolinda, Osório
Perciliana Pereira
Não teve descendentes
Maria Nazaré Pereira
Não teve descendentes
O FUNDADOR DE CAMPO GRANDE
JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Para se traçar o perfil de José Antônio Pereira basta seguir a sabedoria milenar e procurar conhecê-lo através de suas obras. Todo artífice deixa sua marca na obra que realiza. Podemos assim identificá-lo nos diversos aspectos do trajeto de sua vida, desde Barbacena, passando por São João Del-Rei e Monte Alegre, nas Minas Gerais, até chegar ao centro da região sul da antiga Província de Mato Grosso. A história de sua vida se confunde, portanto, com a da fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande.
O filho de Manoel Antônio Pereira e Francisca de Jesus Pereira, nascido na cidade de Barbacena (antigo Arraial de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo) em 19 de março de 1825, descende dos Pereira, portugueses que se transferiram para o Brasil, cujas histórias se perderam nos séculos que se seguiram ao descobrimento de nossa Pátria. Já moço, muda-se para São João Del-Rei (originado do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar), e se casa com a jovem Maria Carolina de Oliveira.
Desejando estabelecer-se definitivamente em lugar onde pudesse desenvolver suas atividades de pequeno agricultor e pecuarista com sua família nascente, transfere-se em meados do século dezenove para o povoado de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, pertencente ao então denominado Distrito da Farinha Podre.
Fundada no início dos anos 1800 por uma numerosa família mineira que, na tentativa de apossar-se de terras devolutas no sertão de Goiás, acabou fixando-se naquela região do Triângulo Mineiro, Monte Alegre se situa no caminho que ligava a Capitania das Minas Gerais às terras goianas. Terminaram assentando, também, residência no local, naquela época, outros aventureiros que seguiram o mesmo itinerário; como as famílias de Gonçalves da Costa; Martins de Sá; de Manoel Feliz e dos Cardosos.
A família de José Antônio Pereira e de Maria Carolina de Oliveira, com o desenvolvimento de seus filhos Antônio Luiz, Joaquim Antônio, Francisca, Maria Carolina, Perciliana, Ana Constança, Maria Nazareth e Rita, começou a crescer. Casaram-se Ana Constança com Manoel Gonçalves Martins e Maria Carolina com Antonio Gonçalves Martins. A impossibilidade de se expandir nas atividades rurais, com espaço para todos, fez com que procurassem outras alternativas, entre elas a ocupação de terras devolutas.
Finda a Guerra do Paraguai, com o retorno para o Brasil dos soldados que se retiraram da região da Laguna, cuja saga foi descrita magistralmente por Taunay, notícias sobre os campos da Vacaria foram levadas até Monte Alegre por ex-combatentes oriundos dessa cidade, um pequeno Arraial àquele tempo. A existência de extensas áreas de terras devolutas ao sul da Província de Mato Grosso atraiu o interesse de José Antônio Pereira que, em 4 de março de 1872, empreendeu sua primeira viagem. Prudentemente, formou uma pequena comitiva, composta por seu filho Antônio Luiz, dos escravos João Ribeira e Manoel, guiados por Luiz Pinto Guimarães, sertanista que havia participado da referida guerra. Seguindo os caminhos percorridos pela expedição da Laguna, adentra Goiás, passando pelo porto de Santa Rita (hoje Itumbiara), cruzando posteriormente o Rio dos Bois e dirigindo-se à Vila das Dores do Rio Verde (hoje, Rio Verde), até chegar à região de Baús, em Mato Grosso (atualmente Costa Rica), daí em direção a Coxim, contornando o extremo norte da Serra de Maracaju e rumando para o sul, até Camapuã.
Continuando sua viagem, procura atingir a região da Vacaria (atual município de Rio Brilhante). Porém, quase em meio caminho, já atravessando a extensa e erma região do Campo Grande, defronta-se com terras de ótima qualidade e campos propícios para a pecuária. Eram, enfim, as sonhadas terras devolutas que José Antônio Pereira estava procurando. Ao chegar, em 21 de junho de 1872, à confluência de dois córregos, denominados, mais tarde, "Prosa" e "Segredo", resolve ali se estabelecer. Constrói um rancho, cobrindo-o com folhas de buriti. Providencia, também, a formação de pequena roça, amanhando a terra pelo sistema da coivara.
Os meses se passaram. Após a primeira colheita de uma plantação vicejante, naquele mesmo ano de 1872, decide voltar a Minas Gerais para buscar seus familiares.
Em Monte Alegre, reúne-se com a família e pessoas de sua relação, expõe as perspectivas da região com tamanho entusiasmo que sensibiliza e convence a todos para a grande aventura.
Começa então o planejamento e as providências para tal cometimento. Mais de dois anos se passaram para que tudo estivesse organizado. Provisões indispensáveis para a longa viagem, sementes e mudas de árvores frutíferas, um lote de gado de cria, animais de montaria e carros mineiros puxados por juntas de bois. Para casos de doença, até remédios foram providenciados pelo próprio José Antônio, que tinha conhecimentos de fitoterapia e terapêutica homeopática, exercendo naqueles sertões longínquos o papel de verdadeiro médico, na falta de um facultativo.
À frente de uma numerosa comitiva, José Antônio Pereira escolhe desta vez seguir um caminho mais curto para chegar ao seu destino. De Monte Alegre, dirige-se para o sul, passando pelo povoado de Prata, indo mais além ao encontro de um caminho paralelo à margem direita do Rio Grande, divisa da Província de Minas com a de São Paulo, e que permitia chegar à de Mato Grosso, situada à oeste. Esse trajeto os leva até as margens do Rio Paranaíba e ao patrimônio de Sant'Anna de Paranahyba (atual Paranaíba), no território mato-grossense. Para atravessar aquele rio, já havia, então, uma balsa rudimentar, que possibilitava o transporte de carretas e animais.
Permanece por vários meses naquela localidade, ajudando a debelar um surto de malária. Ali, seus préstimos, como prático da medicina, contribuíram para salvar muitas vidas. Nessa ocasião, fez a promessa de construir, quando chegasse ao seu destino, uma igreja em homenagem a Santo Antônio de Pádua, de sua devoção, caso nenhum dos seus perecesse. Recebe o convite para estabelecer-se definitivamente no povoado, mas José Antônio, fiel ao compromisso assumido, e ao ideal que acalentava de chegar às terras do Campo Grande, retoma a marcha rumo à oeste. Atravessa o rio Sucuriú, o São Domingos, o Verde e a cabeceira do Pardo, passa outra vez por Camapuã, e depois, em direção ao sul, busca o pequeno sítio que formara há quase três anos.
Aos 14 de agosto de 1875, chega finalmente ao local de destino. José Antônio não encontra o zelador que ali deixara, mas sim, a família de Manoel Vieira de Souza (Manoel Olivério), mineiro de Prata (antigo povoado de Nossa Senhora do Monte do Carmo, do Distrito da Farinha Podre) que igualmente fora atraído para estas plagas, pelas notícias da Vacaria, e que estava no local há cerca de dois meses. É recebido cordialmente, com a intenção manifesta de Manoel Olivério de devolver-lhe a propriedade. José Antônio Pereira, idealista e cordato, propõe-lhe parceria nas atividades a desenvolver. Logo se tornam amigos, e as famílias acabam se unindo três anos depois (quatro de março de 1878), com os casamentos de Manoel Olivério com Francisca de Jesus (filha de José Antônio), de Antônio Luiz com Anna Luiza e Joaquim Antônio com Maria Helena, filhos de José Antônio e filhas de Manoel Olivério, respectivamente. A pequena igreja, construída por José Antônio, em cumprimento a sua promessa, é inaugurada com o ato religioso desses enlaces, que é oficiado pelo Padre Julião Urchia, vindo de Nioac especialmente para esse fim.
Ainda em 1878, José Antônio retorna a Monte Alegre, pela derradeira vez, e traz consigo seu genro, já viúvo, Antônio Gonçalves. Em sua volta, reassume o comando do povoado nascente, divide as terras para a propriedade de seus filhos, genros, e também para si. Delimita a área reservada para a sede do patrimônio, denominando-o Arraial de Santo Antônio do Campo Grande. Torna-se o primeiro Subdelegado de Polícia.
Em 28 de setembro de 1886, recebe e hospeda, em sua casa, o Bispo de Cuiabá, D. Carlos Luís d'Amour, que permaneceu no povoado por cinco dias.
A dedicação de José Antônio aos que adoeciam no emergente Arraial de Santo Antônio do Campo Grande era reconhecida por todos. Não se limitava apenas à preparação e administração de ungüentos, pomadas, xaropes, tinturas, chás e garrafadas, mas também ao cuidado dos que se feriam em acidentes. Aos fraturados, encanava-lhes os membros; aos feridos, pensava-lhes as chagas. Sua fama como parteiro era voz corrente, tendo assistido ao nascimento de seus filhos. Mais tarde passou a contar com a ajuda de uma velha escrava, a quem houvera treinado. Posteriormente, ensinou os ofícios para a própria nora, Maria Helena, esposa de Joaquim Antônio. Secundado por esta, sempre quando chamado, corria a atender às parturientes da Vila. Esse mister deu-lhe, também, a primazia de seccionar o cordão umbilical de muitos de seus netos.
A tradição oral que, através dos familiares, chega aos nossos dias, dá conta da existência das mezinhas de José Antônio, cujos recursos permitiam-lhe exercer sua medicina. A aquisição desse preparo técnico remonta aos tempos de sua vida em São João Del-Rey e Monte Alegre, nas Minas Gerais. Apoiado no seu Chernoviz, praticava a medicina de "folk", disseminada pelos sertões brasileiros; ou seja, a cultura popular do tratamento das doenças. Baseada, como até hoje, na utilização dos recursos químicos das plantas, através de variegadas tisanas, tais como: soluções, macerações, infusões e decocções; e de procedimentos eminentemente físicos, como a manipulação do calor, nos escalda-pés (pedilúvio), e do vácuo, através de ventosas. As aplicações de cataplasmas, emplastros, compressas, adjutórios, banhos-de-assento, colutórios, gargarejos e inalações, incluiam-se, também, nessa prática terapêutica.
A abordagem dos doentes não era realizada com instrumentos da semiologia médica. Os meios diagnósticos eram apenas breve interrogatório e a ectoscopia, corroborados pelo experiente "olho clínico" do velho mineiro, como sói acontecer na prática dessa medicina sertaneja.
Da figura do Fundador nos derradeiros anos de sua vida, com a longa barba branca e os cabelos encanecidos, emergia um ser que mesclava, simultaneamente, austeridade e doçura. À semelhança daqueles que fazem da arte de curar verdadeiro sacerdócio, sua simples presença emanava um magnetismo contagiante. Apenas ao toque de suas mãos, os doentes já começavam ter as sensações de melhora. Na verdade era, também, exímio benzedor. Não poucas vezes as mães levavam seus bebês acometidos de "quebranto" para serem benzidos pelo Velho.
Todos esses fatos, que atestam sua impressionante versatilidade no manejo das coisas da terra e das gentes, acabaram por consagrar José Antônio Pereira, não só como Fundador e Líder, mas sobretudo, como o primeiro cuidador da saúde, do povoado nascente.
Em 11 de janeiro de 1900, morre José Antônio Pereira, sendo sepultado em cemitério que se localizava no bairro Amambaí, onde atualmente encontram-se construídos o SENAI e a Casa da Indústria. Tempos depois seus ossos foram transferidos para o jazigo da Família, no Cemitério Santo Antônio, onde se acham depositados, com os restos mortais de seus filhos e netos.
José Antônio Pereira foi um homem dedicado à família, um verdadeiro patriarca, prudente, organizado, justo e destemido. Católico fervoroso e piedoso devoto de Santo Antônio de Pádua. Possuidor de um profundo senso humanista, afinado sentimento coletivista, e pelo seu carisma, um líder inconteste. Aquele homem, de tez clara e olhos azuis, esguio e forte, cujas mãos eram calejadas pela labuta rural, e também afeitas ao mister de curar, procurou o Campo Grande, não para construir um imensurável e improdutivo latifúndio, mas, em busca de terras devolutas, suficientes para estabelecer-se com os seus, e com aqueles que se afinavam com seus ideais. Após longas e cansativas viagens, despendendo gigantescos esforços, enfrentando as intempéries e as doenças, desafiando os sertões, palmilhando caminhos ermos e desconhecidos, acabou chegando para ficar em definitivo e multiplicar por aqui suas raízes familiares, fazendo nascer um pequeno povoado, hoje grande metrópole.
Esta é a história de José Antônio Pereira, o intrépido fundador de Campo Grande, Capital do Estado de Mato Grosso do Sul.
História da fundação de Campo Grande
Epaminondas Alves Pereira (1904-1988), bisneto de José Antônio Pereira, nasceu aos 22 de dezembro, em Campo Grande. Ficou órfão de pai aos 3 anos de idade, sendo criado a partir de então, como verdadeiro filho, por seus avós maternos Antônio Luiz Pereira (filho de José Antônio Pereira) e Anna Luiza de Souza (filha de Manoel Vieira de Souza), até aos 16 anos.
13-12-1926
Comenta-se, entre seus familiares, que Epaminondas, alguns primos, e tios, costumavam ouvir atentamente os relatos de Antônio Luiz sobre suas viagens, desde a primeira, entre Minas Gerais e o Campo Grande, em companhia do Fundador. Também os da vovó Anna Luiza, sobre a viagem de sua família, desde Prata (MG), tendo à frente "Manoel Olivério", seu pai.
1986
Toda cidade tem sua história ligada a um princípio, um porto ou uma estação de estrada de ferro. Com Campo Grande foi diferente; nasceu em pleno sertão, por iniciativa do espírito arrojado e do pioneirismo de José Antônio Pereira, que teve a coragem de desbravar esta rica terra sul-mato-grossense.
Natural de Minas Gerais, residente na cidade mineira de Monte Alegre, empreendeu sua primeira viagem rumo ao sul da então Província de Mato Grosso, à procura de campos para criar e matas para lavouras.
Tendo notícia da Vacaria com suas vastas campinas, formou uma comitiva composta por cinco pessoas, dentre estas, seu filho Antônio Luiz, dois escravos (os irmãos João e Manoel) e Luiz Pinto, prático em viagens pelo sertão, residente em Uberaba.
Em 4 de março do ano de 1872 a pequena caravana partiu de Minas rumo a estas paragens, trilhando os caminhos deixados pelos nossos soldados que combateram os invasores do território brasileiro na Guerra do Paraguai.
A comitiva, após três meses de caminhada, chega a 21 de junho à confluência de dois córregos, mais tarde denominados "Prosa" e "Segredo". José Antônio Pereira com seus quase cinqüenta anos de idade, alquebrado pela longa viagem mas satisfeito com o panorama que a seus olhos se descortinava, deu por finda a excursão.
Enquanto descansam constroem um rancho coberto de folhas de buriti, e em seguida, derrubam pequena mata que existia entre os dois córregos. Numa área, de aproximadamente um quarto de alqueire, procedeu-se o preparo da terra e o plantio de milho e arroz, cuja lavoura, devido à fertilidade exuberante do solo, correspondeu plenamente à experiência otimista de José Antônio e seus companheiros de jornada.
Atravessavam já o mês de novembro e a plantação era promissora; o desbravador não se enganara quanto à excelente qualidade da terra. Os viajores e seus animais, já refeitos fisicamente da longa caminhada e da labuta na formação da roça vicejante, sob as ordens de José Antônio, resolvem regressar à terra natal, em busca de suas famílias.
A pequena propriedade não podia ser deixada ao abandono. De volta a Minas Gerais José Antônio passa por Camapuã, em cujos arredores moravam poucas pessoas remanescentes da Fazenda do mesmo nome, entre elas o poconeano João Nepomuceno, com quem José Antônio entra em entendimento para vir cuidá-la, até o seu regresso de Minas.
Em meados de 1875 chega por aqui Manoel Vieira de Souza (Manoel Olivério), mineiro que também fora atraído pelas notícias dos campos da Vacaria. Manoel Olivério, com dois carros de bois, vinha em companhia de seus filhos, de sua mãe e de seus irmãos Cândido Vieira de Souza e Joaquim Vieira de Souza, alguns empregados, um dos quais Joaquim Dias Moreira (Joaquim Bagage). Este encontro proporcionou a Nepomuceno oferecer a Manoel Olivério a pequena propriedade que zelara até então, constituída de um rancho e a colheita da última safra, alegando que José Antônio não havia aparecido, e decorridos quase três anos, talvez não mais voltasse. Dispunha-se a vendê-la pela quantia de trinta mil réis. Acertaram o negócio na condição de que se o dono aparecesse, Manoel Olivério a entregaria, mediante o ressarcimento da importância citada, que na época representava muito dinheiro.
Enquanto seus irmãos seguem para a Vacaria, Manoel Olivério, que era viúvo, fica em companhia da velha mãe, dos filhos José, Francisco, Maria Helena, Anna Luiza e Helena, de um casal de escravos e ainda de Joaquim Bagage. Para sua surpresa, em 14 de agosto do mesmo ano, chega José Antônio à frente de numerosa caravana composta de onze carros mineiros, carregados de víveres, mudas e sementes de árvores frutíferas, um lote de gado de cria, etc., fazendo-se acompanhar de sua esposa Maria Carolina de Oliveira e de seus filhos Antônio Luiz, Joaquim Antônio, Francisca, Perciliana, Ana Constança, Rita e Maria Nazareth, do genro Manoel Gonçalves, de alguns sobrinhos e mais escravos amigos, formando um total de 62 pessoas.
Desenho de PERCY LAU*
Manoel Vieira de Souza, até então desconhecido, pois era de Prata, outra cidade mineira, recebe-o amistosamente expondo as condições de seu negócio com João Nepomuceno e prontifica-se entregar a propriedade a seu legítimo dono. José Antônio, idealista e cordato, dá por bem feita a transação convidando-o para trabalharem de comum acordo. Assume, desta forma, o comando do pequeno povoado nascente e providencia a construção de oito ou mais ranchos às margens do córrego que atualmente chamamos de Prosa. Os ranchos faziam frente para a atual rua 26 de Agosto.
José Antônio Pereira, traçando os limites do povoado, denominou-o ARRAIAL DE SANTO ANTÔNIO DO CAMPO GRANDE, em homenagem ao Santo de sua devoção. Quando de mudança, passando por Santana de Paranaíba, foi obrigado a interromper por alguns meses sua viagem em virtude da malária que estava acometendo a população daquele lugar. Prático de farmácia e adepto da fitoterapia, tido naquela época como um bom "médico", permaneceu o tempo suficiente para debelar a epidemia, salvando muitas vidas, tanto nessa ocasião como em outras, até o fim de sua existência. Foi lá que fez uma promessa a Santo Antônio de Pádua, cuja imagem já o acompanhava, de construir uma Igreja quando aqui chegasse, caso não perdesse um só dos seus. Esta foi a origem do abençoado nome da nossa querida cidade.
Claro ficou que a população de Campo Grande, com o retorno de seu fundador, elevou-se para 72 pessoas. No mês de agosto, já um pouco tarde para o plantio, os moradores fazem pequenas roças na esperança de conseguirem ainda boa colheita, dada a fertilidade do solo; porém foram surpreendidos por uma nuvem de gafanhotos que deixaram a lavoura em terra limpa. As sementes haviam se esgotado e restavam em abundância abóboras e morangas, que juntamente com a carne de caça e bovina, foram os únicos alimentos da pequena e brava população. Os sertanistas não desanimaram e continuaram o labor, unidos, como se fossem uma só família.
Nos anos seguintes, isto é, em 1876 e 1877, José Antônio Pereira deu cumprimento a promessa que fizera, construindo uma igrejinha de pau-a-pique, coberta de telhas transportadas do abandonado Camapuã.
Terminada a capela, logo combinaram os casamentos do velho viúvo Manoel Vieira de Souza com Francisca de Jesus (filha de José Antônio) e ainda de Joaquim Antônio com Maria Helena e Antônio Luiz com Anna Luiza, eles, filhos do fundador e elas, filhas de Manoel Vieira. Assim, no início de 1878 José Antônio vai a Nioaque, contrata o padre Julião Urchia para dar benção à Igreja e celebrar os primeiros casamentos e batizados. Em 4 de março de 1878, recebia o pequeno povoado a bênção de Deus por intermédio do abnegado sacerdote, que de acordo com as normas vigentes declarava casados: Antônio Luiz Pereira e Anna Luiza de Souza, Joaquim Antônio Pereira e Maria Helena de Souza, Manoel Vieira de Souza e Francisca de Jesus. Conclui-se então que Manoel Vieira ficou sendo cunhado de seus genros. Foram celebrados também vários batizados.
Ainda em 1878 José Antônio Pereira volta pela última vez a sua terra natal, naturalmente para liquidar alguns negócios e trazer outros familiares, entre eles, seu genro Antônio Gonçalves, Maria Joaquina, filha deste, seu marido Tomé Martins Cardoso e a filhinha do casal, Maria Jesuína de Jesus.
Após o regresso de Minas Gerais, José Antônio recomeça suas atividades. Preservando a área que havia delimitado para a sede do Arraial, determina as posses das primeiras fazendas, na seguinte ordem: Fazenda Bandeira, que coube a Joaquim Antônio; Fazenda Bálsamo, para Antônio Luiz; Fazenda Lajeado, para Manoel Vieira de Souza; Fazenda Bom Jardim, para o próprio fundador e Fazenda Três Barras, aos genros Antônio e Manoel Gonçalves. Desse ano em diante, novas caravanas foram chegando e se localizando de acordo com as orientações dadas pelo pioneiro José Antônio Pereira. Entre os primeiros moradores destacaram-se os Vieira de Rezende, no Anhanduizinho; os Caçadores, nas encostas da Serra de Maracaju; os Taveira, nas margens do ribeirão das Botas e assim por diante.
O entusiasmo dos primeiros habitantes contagiava a todos, pois diariamente chegavam mais pessoas para aumentar as atividades da povoação, dedicando-se à lavoura, à criação e ao comércio em geral. Entre estes, Antônio Augusto de Carvalho, Bernardo Franco Baís, Joaquim Vieira de Almeida e muitos outros, contribuíram na formação de nossa gente. Em princípios de 1889, atendendo ao apelo dos habitantes, chegou o inesquecível mestre José Rodrigues Benfica que abriu, em nossa terra, a primeira escola.
Assim se resume a História da Fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande; que o autor, bisneto dos fundadores, conseguiu, em pálidas e despretensiosas linhas, contar aos campo-grandenses, que hoje constroem com galhardia o futuro radioso de nossa querida cidade.
* Desenho de Percy Lau, retirado do livro: Ciclo do Carro de Bois no Brasil. Autor: Bernardino José
HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DE CAMPO GRANDE
MONTE ALEGRE DE MINAS
Eurípedes Barsanulfo Pereira
A história da fundação de Campo Grande está ligada a Monte Alegre de Minas, cidade do Triângulo Mineiro, de onde partiu José Antônio Pereira, naquele longínquo 1872. Suas origens guardam certas similaridades com as nossas.
"No começo do Século XIX, uma numerosa família mineira, cujo chefe era Martins Pereira, na tentativa de apossar-se de terras devolutas no Sertão de Goiás, empreendeu viagem de mudança para aquelas plagas inóspitas, seguindo corajosamente a caravana de aventureiros por um caminho aberto, que ligava parte da Capitania das Minas Gerais às terras goianas, naquele rumo.
Quando a caravana alcançava o ponto do caminho onde fica hoje a cidade, adoeceu gravemente um de seus membros, motivando essa fatalidade uma parada obrigatória de alguns meses. Sem recursos de remédios que o caso exigia, para combater a enfermidade, fervorosos devotos que eram de São Francisco das Chagas, o chefe da família fez então uma promessa ao Santo, de doar naquela localidade um terreno para a construção de uma Capela, que ali seria edificada em seu louvor, caso o doente recebesse o milagre da cura.
Foi recebida a Graça suplicada ao milagroso Santo. Por esse motivo resolveram não seguir viagem até que se colocasse em prática o que havia sido prometido.
Com a junção de outros aventureiros, que seguiram o mesmo itinerário, formaram uma agregação às famílias de Antônio Luiz Pereira, Gonçalves da Costa, Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos. Esses primeiros povoadores, do arraial em formação, abrigaram-se em humildes ranchos, construídos na sua maioria de madeira, capim e palha de buriti, em ruelas abertas às margens dos córregos "Monte Alegre" e "Maria Elias", onde a servidão de excelente água era abundante nos regos derivados das nascentes.
Na extremidade do triângulo formado pela confluência desses veios de água, traçaram-se as primeiras ruas curvas da futura cidade, a quadra para a necrópole e a praça onde foi erguida a Capela de São Francisco das Chagas, o Padroeiro da Povoação." (1)
José Antônio Pereira, nascido em Barbacena em 1825, após casar-se com Maria Carolina de Oliveira em São João Del-Rei, acabou fixando residência no Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, em meados do século XIX. Ali nasceram e cresceram seus filhos, casaram-se as filhas Maria Carolina e Ana Constança, respectivamente, com os irmãos Antônio Gonçalves Martins e Manoel Gonçalves Martins, filhos de fundadores daquele Povoado. Mais tarde, sua neta Maria Joaquina acabaria se consorciando com Tomé Martins Cardoso, filho, também, de fundadores de Monte Alegre.
Naquela época, seu filho Antônio Luiz Pereira, no verdor da mocidade, mantinha, segundo relato de seus familiares, não pequeno círculo de amizades, em razão de seu espírito comunicativo de violeiro. Quando partiu definitivamente de Monte Alegre, lá deixou, segundo as mesmas fontes, namorada abanando "lencinho branco", no momento da despedida. (2)
Tão marcante foi sua presença em seu torrão natal, que décadas mais tarde, dos familiares, apenas seu nome sobreviveu na memória dos moradores mais antigos, e nos relatos dos historiadores daquela cidade. (1)
Embora plenamente integrada à comunidade local, a família de José Antônio Pereira estava se multiplicando em numerosa prole. Esse fato levou-o a procurar uma região onde pudesse obter terras para todos. Bem que poderia ser nos sertões de Goiás. Vários desbravadores mineiros haviam para lá se dirigido, e acabaram se estabelecendo em fazendas no Planalto Central. (4)
Um acontecimento importante, nessa altura, veio determinar a disposição de José Antônio Pereira para uma aventura rumo a solos mais distantes: a Guerra do Paraguai e a Retirada da Laguna.
A coluna do Exército Brasileiro que veio defender o território sul-mato-grossense, naquele triste conflito, fez bivaque no lugar denominado Pimenta, nas cercanias do Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, tendo chegado ao Povoado às onze horas do dia quatorze de setembro de 1865. (3)
O Visconde de Taunay descreveu o lugarejo no livro Marcha das Forças (Expedição de Matto Grosso) 1865-1866 - Do Rio de Janeiro ao Coxim:
"Esta povoação do termo do Prata conta 400 a 500 habitantes e algumas casas commodas, caiadas e cobertas de telhas. A matriz offerece simples apparencia e fecha uma pequena praça rodeada de palhoças. O commercio, quasi nullo, se mantem, embora em muito insignificante escala, pela passagem, hoje rara, de lotes de animaes." (3)
Jovens moradores e filhos de Monte Alegre acabaram sendo recrutados e reforçaram a tropa dos Voluntários da Pátria, para a guerra. A presença de soldados monte-alegrenses foi registrada pelo historiador Alaor Guimarães Mendonça. (1)
Conta-nos que Eliziário Ribeiro de Vasconcelos, octogenário na década de 70, conhecido como Caboclo, lembra-se de que muitos de seus parentes e amigos estiveram entre os que participaram da expedição até o Paraguai. Os soldados Pedro Paraguaio e Martinho Paraguaio, cujos sobrenomes são originados da guerra, também participaram e retornaram para Monte Alegre, ficando naquela cidade até a morte. João Lopes e Patrocínio Franklin Pinto, estão igualmente entre os monte-alegrenses que integraram as forças que marcharam até o País vizinho, e participaram da Retirada da Laguna.
Acompanhando as tropas brasileiras, porém como carreiros, fornecedores de gêneros alimentícios e outras mercadorias, e que sofreram toda uma série de privações, incluem-se Joaquim Nunes, Antônio Miranda e Feliciano Nogueira Mendes Teixeira, este, apelidado "Coelho Nogueira"; todos originários de Monte Alegre. (1)
Esses homens, heróis da campanha da Laguna, acabaram, em seu retorno, comentando sobre as terras situadas ao sul da antiga Província de Mato Grosso. Os campos grandes da Vacaria tornaram-se, então, notícia corrente no Sertão da Farinha Podre, região mineira que abrangia os povoados da Prata e Monte Alegre.
Motivado por essas informações, José Antônio Pereira resolveu buscar essas terras, escolhendo trilhar parte dos caminhos que haviam sido percorridos pelos Voluntários da Pátria, a partir do Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, atual Monte Alegre de Minas.
BIBLIOGRAFIA:
1. MENDONÇA, ALAOR GUIMARÃES: Monumento aos Heróicos Retirantes de Laguna. Publicação da Prefeitura Municipal de Monte Alegre de Minas, 1984, 27 pag.
2. DEPOIMENTOS DE: Júnia de Souza Lacerda e Maria de Souza Marawieski - Bisnetas de José Antônio Pereira.
3. TAUNAY, VISCONDE: Marcha das Forças (Expedição de Matto Grosso) 1865-1866 - Do Rio de Janeiro ao Coxim, Editora Cia. Melhoramentos de S. Paulo, 1928, 148 pag.
4. LENA CASTELLO BRANCO FERREIRA DE FREITAS e NANCY RIBEIRO DE ARAÚJO E SILVA: Antigas Fazendas do Planalto Central. In: Ciências Humanas em Revista. Revista do Instituto de Ciências Humanas e Letras. Universidade Federal de Goiás.
HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DE CAMPO GRANDE
UM "GRANDE VAZIO"
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Até a chegada e a fixação de José Antônio Pereira na confluência dos córregos, posteriormente denominados "Prosa" e "Segredo", esta área, da extensa região do então chamado "Campo Grande", servia apenas como passagem para aqueles que procuravam chegar a Camapuã, e depois continuarem a jornada, em busca do ouro, em Cuiabá; para os que se deslocavam do Sertão dos Garcias (atual Município de Paranaíba) rumo a Vacaria; ou para os que, à época da Guerra do Paraguai, tangidos pelas investidas dos invasores de nosso território, foram se resguardar nas fazendas situadas a leste do rio Sucuriú. Completamente desabitada, fazia parte de um "grande vazio", ao sul da Província de Mato Grosso, como a denomina Acyr Vaz Guimarães (1).
A não ser os campos da Vacaria, mais ao sul, que já estavam sendo ocupados por diversas fazendas, esta parte não havia atraído, na verdade, a atenção daqueles que procuravam os sertões, para se apossarem de terras devolutas.
O mais eloqüente relato sobre as imediações de onde surgiria a cidade de Campo Grande é de autoria de Alfredo d'Escragnolle-Taunay, o Visconde de Taunay, em "Céus e Terras do Brasil":
"Uma légua mais, entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui vastíssimo chapadão de mais de cinqüenta léguas de extensão, em que raras árvores rompem a monotonia duma planura sem fim (...)." (2)
Quando por aqui chegou, ao anoitecer do dia 21 de junho de 1867, Taunay foi descansar junto ao "capão do Buriti," onde em 1865 havia se arranchado uma família brasileira, para "fazer mate" e que na ocasião foi presa por soldados paraguaios. Nem mesmo, quando descreve sua passagem pela "lagoa do Paula" ou pelo ribeirão das "Botas," acusa o encontro de alguma alma vivente ou de qualquer palhoça. Era de seu costume seguir caminhos, ao longo dos quais pudesse encontrar os melhores pontos para as paradas, especialmente pernoites, como se pode constatar nos relatos de suas viagens. Percebe-se, claramente, que tudo o que era digno de ser anotado, o fazia, descendo aos detalhes, quer de aspectos físicos dos locais, quer das pessoas que por acaso encontrasse, chegando muitas vezes ao requinte de retratá-los em desenhos. É de se estranhar, portanto, que se tivesse encontrado moradores nesta região do Campo Grande, apenas estes, não merecessem citação no seu diário de viagem.
Rosário Congro, em publicação, de 1919, intitulada: "O Município de Campo Grande - Estado de Matto Grosso", inicia deste modo o "Histórico" sobre a fundação:
"Em 1872, a quasi dezerta região meridional da então Provincia de Matto Grosso, comprehendia, apenas, na vastidão dos seus trezentos mil kilometros quadrados, approximadamente, as villas de Miranda, outr'ora presídio do mesmo nome, fundado em 1797, e Sant'Anna do Paranayba, alem das povoações de Nioac e Coxim." (3)
Mais adiante, quando se refere à destruição da roça de José Antônio Pereira por uma nuvem de gafanhotos, e suas dificuldades para conseguir alimentos, faz alusão ao morador mais próximo do local, nos seguintes termos:
"Distava doze legoas o morador mais próximo, proprietário de uma fazenda que a invasão inimiga fizera abandonar por alguns annos, tornando-a tapera, o gado perdido, internado nas selvas, volvido feróz.
Era alli que ia supprir-se Pereira da sua principal alimentação, que era a carne dos vaccuns bravios comprados a 15$000 e abatidos a tiros, em verdadeiras caçadas." (4)
Na altura em que comenta sobre a chegada de outros, que vieram somar-se a José Antônio Pereira, escreve:
"No ano seguinte, José Antônio Pereira regressou a Monte Alegre, deixando o seu rancho e a sua lavoura incipiente entregues a João Nepomuceno, com quem se associara.
Nepomuceno era caboclo de Camapuã, um arraial que morria, situado na antiga Fazenda Imperial do mesmo nome, nas cabeceiras do Coxim, e que ali aparecera, "de muda" para Miranda, quebrando a monotonia do ermo com dois carros de bois que o peso da carga fazia chiar nos eixos." (4)
E ainda:
"A enorme extensão das terras não occupadas, a sua optima qualidade para cultura e creação e, sobretudo, o clima amenissimo, elementos seguros de prosperidade, fizeram a attracção de innumeras pessoas, vindas não só de Minas, como de S. Paulo, Rio Grande do Sul e outras províncias." (6)
Historiando o retorno do Fundador, usa as seguintes palavras:
"Só em 1875 voltou José Antônio, trazendo sua família (...) Em busca, não mais do desconhecido, mas de uma região habitada apenas por tribos selvagens e animais ferozes..." (5)
Paulo Coelho Machado, em "A Rua Velha", descreve assim, o primeiro contato de José Antônio com a terra que escolhera para se fixar:
"Na fria madrugada do dia seguinte ao da chegada, José Antônio verificou, com olhos experientes, que havia chegado a seu destino. Não era preciso caminhar mais. Não só aprazível era o lugar, como possuía vegetação luxuriante, indicadora da fertilidade da terra. Um pequeno passeio pelos arredores confirmou o acerto do local escolhido. Terra argilosa, vermelha e roxa, com abundante cobertura, ideal para a lavoura, campinas sem fim, eriçadas de capões, para a criação de milhares de reses. Água abundante. Estava definitivamente escolhido o local." (7)
"Nesse mesmo dia (...) José Antônio chamou os companheiros e comunicou-lhes a resolução. Iniciaram então a faina para a construção do primeiro rancho, localizado na forquilha das águas, justamente na parte mais baixa da região." (8)
Acyr Vaz Guimarães, em "Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica", escrevendo sobre a ocupação do território sul-mato-grossense no decorrer do século XVIII, assim se expressa:
"Tudo era sertão, apenas índios por todas as partes, desde o extremo sul, onde estavam os caiuás, até as divisas com as terras de Goiás, onde estavam os caiapós. Os guaicurus varavam todo o pantanal (...) Os paiaguás não saíam em terra, mas corriam todo o rio Paraguai (...)
Nem mesmo a abundância de gado nativo e campo farto para a criação em clima bom, terras boas, de rios navegáveis, fazia alguém aportar ao grande território, onde só índios viviam." (9)
Na mesma obra, agora descrevendo fatos ocorridos em meados do século XIX, décadas de 50 e 60, relativos ainda à ocupação do sul da Província de Mato Grosso:
"Com soldados em maior número, que passavam a policiar a região, por caminhos que se abriam, os fazendeiros foram encontrando melhores maneiras para se comunicarem, atraindo, para o baixio e para a Vacaria, outros de outras províncias. Grandes áreas, todavia, continuavam despovoadas (...) o leste, em grande parte, até o rio Paraná (...) o conhecido Campo-Grande da Vacaria, de extensas campinas - larga área, portanto, sem caminhos e sem povoadores." (10)
Fica evidente, a par dos escritos destes eminentes historiadores, que estes sítios da então Província de Mato Grosso, ao tempo da chegada de José Antônio Pereira, era solo de ninguém, área devoluta e sem habitantes. Constituída de excelentes terras para o cultivo e vastas campinas para a criação, guardou as suas potencialidades para serem feridas, à hora aprazada, pelas mãos daquele mineiro idealista, e transformadas em leiras fecundas, que acabaram brindando seus primeiros cultivadores, com produções de ótima qualidade.
1. GUIMARÃES, Acyr Vaz. Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica. Mapa N°2, p. 63, Editora UCDB, Campo Grande-MS, 1999.
2. TAUNAY, Visconde de. Viagem de regresso de Mato Grosso à Corte. In: Céus e Terras do Brasil, p. 85. Edições Melhoramentos, 9ª edição, 1948.
3. CONGRO, Rosário. O Município de Campo Grande - Estado de Matto Grosso. Publicação Official ( p. 07), 1919.
4. Idem., Ibidem., p. 09-10.
5. Idem., Ibidem., p. 10-11.
6. Idem., Ibidem., p. 16.
7. MACHADO, Paulo Coelho. Pelas Ruas de Campo Grande Vol. I: A Rua Velha, p. 14. Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Agosto de 1990.
8. Idem., Ibidem., p. 15.
9. GUIMARÃES, Acyr Vaz. Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica, p. 35. Editora UCDB, Campo Grande-MS, 1999.
10. Idem., Ibidem., p.113.
FONTE: http://paginas.terra.com/arte/campograndems
Assinar:
Postagens (Atom)

